sábado, 3 de novembro de 2012

LITURGIA

Você sabe o significado do incenso durante as Celebrações Solenes da Igreja Católica?



O uso do incenso é o ato de adoração e equivale à oferta de um sacrifício. Acrescido de perfume transforma-se em um elemento jubiloso, revestido de alegria, satisfação e beleza. Orações e sacrifícios aceitos por Deus elevam-se como perfume suave e agradável, como se ele “aspirasse tal odor” com suas narinas (cf. Gênesis 8,21). Indicado para imprimir solenidade a alguns momentos da celebração eucarística, o incenso é citado nos livros oficiais como um elemento litúrgico capaz de criar uma atmosfera sagrada de oração, que como uma nuvem perfumada sobe até Deus. Segundo o Pe. Carlos Gustavo Haas, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para Liturgia da CNBB, atualmente se incensa na Missa quando se deseja ressaltar a festividade do dia, o altar, as imagens da Cruz ou da Virgem, a Bíblia, as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimoapós a consagração ou nas celebrações de culto eucarístico: “Com isso deseja-se significar um gesto de honra (ao Santíssimo, ao corpo do falecido nas exéquias), ou um símbolo de oferenda sacrifical (no ofertório, tanto o pão e o vinho, como as pessoas)”. O uso das resinas naturais perfumadas faz com que o incenso, ao ser queimado, acrescente ao simbolismo do fogo também as analogias da emissão de fumaça e a de exalar perfume. A fumaça que sobe é o gesto imitativo: significa ergue-se pela oração até o céu, de modo equivalente ao gesto das mãos elevadas. Nas instruções gerais da CNBB, mostra-se o sentido do uso do incenso na Celebração eucarística e quando pode ou deve ser usado: “A turificação ou incensação exprime a reverência e a oração, como é significativa na Sagrada Escritura (cf. Sl 140,2; Ap 8,3)”. O agitar do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo, e seu movimento em forma de círculo revala intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus.

O uso do incenso ganha destaque na famosa Missa do peregrino, realizada diariamente na Catedral de Santiago de Compostella, na Espanha. Nesta Missa, é utilizado um turíbulo de prata, chamado de “Botafumero”, com 240 kg., pendurado ao teto por um sistema de carretilhas, que necessita de seis sarcedotes para fazê-lo percorrer, em um movimento pendular mais de 80m de um lado a outra da Catedral. Esta é uma experiência única, principalmente para quem percorre os mais de 800km do Caminho do Santiago e comemora o final da jornada com esta celebração. Veja um pouco do ritual da igreja de Santiago de Compostella!

A História
Produzido em regiões com forte tradição em incensos de resina, como o Oriente Médio, Norte da África e Itália, durante mais de cinco mil anos esta foi uma das mais caras substâncias no mundo civilizado, equiparado ao ouro e presente de reis. Era objeto de cobiça de grandes culturas, como a chinesa, asiática e mediterrânea. O pico do comércio de incensos de resina foi no Império Romano, no primeiro século a. C.

O imperador Nero queimava toneladas em cerimônias religiosas. Uma das mais antigas formas de purificação, a incensação faz parte de várias tradições religiosas – do cristianismo ao hinduísmo, dos índios americanos aos monges budistas do Tibet, dos muçulmanos aos africanos.

Na liturgia católica, o incenso é utilizado desde o século IX, quando se instaurou o uso do incenso no início da Missa. No século XI, o altar se transformou no centro da incensação. O turíbulo era também levado na procissão junto com o evangeliário. Em seguida, o ritual estendeu-se às oferendas do pão e do vinho, que são incensadas três vezes em forma de cruz, da mesma maneira como se procede com o altar e comunidade litúrgica. Desta forma, nasceu a tríplice incensação durante a Missa, praticada também hoje de maneira regular pela igreja ortodoxa.


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